... ou como eu sou vítima do meu próprio cachorro, que eu retirei das ruas, onde ele estava condenado a morrer.
Não se deixem enganar por esse ar pidão, a gravata pondo em causa a sua sexualidade e o olho cego. Esse cachorro - de seu nome Fuá - é bipolar e nos seus surtos demoníacos de raiva, ele só pensa em morder esta pessoa de 1,58m.
Eu já perdi a conta de quantas vezes ele me mordeu. Na maioria das vezes eu provoquei - quem mandou mexer com o cachorro quando ele está dormindo? Mas em muitas outras eu não fiz nada, juro. Só olhei para ele e ele, do alto da sua vira-latice, nhac! me mordia. Já me abocanhou a barriga (se eu fosse sarada isso não aconteceria, né, porque teria barriga tanquinho e ele não conseguiria morder), a coxa, a panturrilha, a canela, o pé. O Leonardo, ilustre marido e chefe da casa, também já sentiu a fúria do cachorro, na cara e com direito a quatro dias de atestado médico.
Ontem, ele me mordeu a mão. E foi sério desta vez. Porque ele mordeu com vontade, fez tipo nhac nhac nhac, mordendo várias vezes, repetidamente, e eu AAAAAAAAAHHHHHHHHHH, PARA, SEU CÃO DOS INFERNO!
Resultado: mão zuada, com um furo de 2mm (é sério), várias marcas de dentes e mão zuada. Gente, é sério, estou teclando por obra divina, quase. O pior é que estou passando uma pomada anti-inflamatória que tem cheiro de desgraça e agora não sei se esse cheiro é da pomada ou se a minha mão está apodrecendo.
O meu cachorro é extremamente nervoso, mas eu amo-o. Vamos castrá-lo para ver se sossega o facho (oi?). E tirando isso ele até é um bom cachorro. Quando atiramos a bola para longe ele vai buscar.
10 de dezembro de 2011
6 de dezembro de 2011
Um jornalista como poucos
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| Foto: R7 |
Hoje, se me permitem, o texto é um pouco diferente. Hoje, se me permitem, gostaria de homenagear um dos melhores jornalistas que já conheci: o Ale Rocha. Não sei se o conheciam, mas o Ale era uma ótima pessoa. Excelente jornalista e que, mesmo sofrendo de hipertensão pulmonar e estar há dois anos na fila para o transplante, ele nunca desistiu de viver. Quem me conhece sabe que eu reclamo para caramba. E se eu não reclamava mais era porque eu via os tweets dele, sofridos por causa da dor, da insônia, de não conseguir brincar com o filho, mas, ao mesmo tempo, tão alegres, tão cheios de vida. Pô, pensava eu, eu tenho de ter vergonha na cara de reclamar porque é segunda-feira e eu acordei cedo. E se eu pensava isso, o Ale tinha muita “culpa no cartório”.
Entrevistei-o duas vezes, durante horas. O papo sempre era bom. Ele dizia que eu era mais tímida pessoalmente. Acompanhei a luta para ele conseguir os remédios do governo de Estado, fiquei feliz quando ele os conseguiu, ficava preocupada quando ele sumia do Twitter. Fiquei felicíssima quando soube do transplante. Pensei: “agora vai!”. Foi, mas nem tanto. O Ale partiu.
Não que eu fosse uma graaaande amiga do Ale, mas admirava-o bastante, sabia do desejo dele ter “um pulmão novo” para poder jogar bola com o filho. E dói o meu coração por saber que ele não concretizou esse seu desejo.
O caso do Ale traz à tona uma importante questão: a doação de órgãos. Tal como ele, milhares de pessoas aguardam por órgãos, órgãos que não fazem falta a cadáveres, mas que, por alguma razão que eu não entendo, muitas famílias ainda são reticentes em autorizar a retirada dos órgãos do seu ente querido morto.
Queridos, quando formos desta para melhor, não vamos levar dinheiro, carro, casa, joias, roupa, sapatos, nem órgãos. Para onde quer que a gente vá quando acabar a nossa hora aqui na Terra, não vamos precisar de pulmão, fígado, coração ou rins. Seja um doador. Avise a sua família que você é um doador. Convença os seus amigos e familiares para que eles também sejam doadores. Só assim poderemos salvar muitas vidas. O Ale Rocha iria gostar que fizéssemos isso.
#RIPAleRocha. Você É foda.
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