23 de junho de 2011

Fundamentalistas mascarados de cristãos

Quando eu me converti à religião evangélica, em 2006, fiquei apaixonada por tudo aquilo. A paz de espírito que eu passei a sentir e a certeza de saber que lá em cima, não sei bem onde, há Alguém que me ama e que me abençoa foi das melhores coisas que já senti na vida. Era inexplicável, mas nos primeiros 3 meses em que fui à igreja, ainda em Lisboa, eu ficava o culto inteiro chorando. Dizem que é o Espírito Santo que faz isso, e eu acredito.
Em 2009, me batizei na Igreja Batista. Não sou daquelas 'beatas', que passa o domingo na igreja, que participa das atividades do ministério. Mas tentava ir ao culto sempre que podia, porque achava que ouvir a Palavra, orar e louvar a Deus trazia paz à minha vida. E trazia. Sim, no passado.
Tenho acompanhado de perto (às vezes demasiado de perto, mas são ossos do ofício) a maneira como os evangélicos se têm comportado no Brasil. E me deparo com uma dicotomia. Por um lado, missionários voluntários saem de dentro dos templos e vão evangelizar na favela, na Cracolândia, até na sarjeta, falando apenas do amor de Cristo. E, por outro, lideranças evangélicas, seguidas por uma massa acéfala, que não falam de Deus, nem de Jesus, nem do amor, da graça ou da salvação. Pelo contrário, eles vão armados de preconceito disfarçado de Bíblia, acusando tudo e todos. Não pode beber cerveja, não pode fazer tatuagem, não pode ouvir música secular, não pode ser homossexual. Tudo sobre a desculpa de que é pecado.
Eles recorrem a passagens do Antigo Testamento, reinado pela lei "olho por olho, dente por dente". "Com homem não te deitarás como se fosse mulher, porque abominável é", diz um versículo do livro de Levíticos. Eu não sou conhecedora da Bíblia, mas uma das primeiras premissas que aprendi é que Jesus veio para acabar com toda essa lei do AT, veio aproximar o homem do Pai e morreu na Cruz por isso. É maravilhoso, mas ninguém fala disso.
Hoje, as pessoas estão saindo das igrejas. Não concordam com os inquisitores que as dominam, que colocam mulheres de castigo quando usam saia, que discriminam pessoas pela sua sexualidade, mas que não fazem ideia do que fazer com elas dentro da igreja. Os evangélicos já não evangelizam.
Hoje, já não sinto aquela paz de espírito que sentia quando me converti. Continuo certa de que Jesus, o homem mais influente que pisou nesta terra, é o meu único e suficiente Salvador. Mas, ao mesmo tempo, detesto todos aqueles que me tiraram a vontade de saber mais Dele. Eu não quero ter o mesmo nome daqueles que condenam ao fogo do inferno todos aqueles que têm condutas diferentes daquelas que eles acham ser o correto.
Eu gostaria de ser como Jesus, que pregou a tolerância e o amor e nunca pregou falsas doutrinas como esses homens que se dizem representantes de Deus na terra. Mas eu sou falha, sou uma migalha se comparada com a grandeza de Cristo.
Bebo cerveja, tenho tatuagem, ouço música secular, apoio o casamento homossexual (aliás, aqui entre nós, quem se preocupa com a sexualidade alheia é porque ainda não definiu a sua própria orientação sexual), a adoção de crianças por gays e condeno a homofobia, principalmente quando ela é mascarada entre a Palavra do Pai.

Infelizmente, estamos perante um bando de fundamentalistas religiosos que só diferem da Al Qaeda porque ainda não aprenderam a pilotar.

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