22 de junho de 2011

Aconteceu comigo - parte III

Na verdade, é uma continuação do "Aconteceu comigo - parte II", que fala de um tema bem sensível - e doloroso: a depilação com cera.
Hoje foi dia. Prefiro não entrar em detalhes. Mas me apercebi de certas coisas que, nas outras vezes, não tinha conseguido enxergar. Vamos lá:

- a solidariedade com a depilação alheia: Enquanto estava na sala de espera, uma moça saiu da sala de tortura, quer dizer, da sala da depiladora. Ela vinha com um andar como se estivesse assada e com o buço vermelho. Olhei para ela, ela olhou para mim, fiz um leve aceno de cabeça, como quem diz: "Eu compreendo-te", ela retribuiu com um "Boa sorte". Não sei o nome dela, ela não sabe o meu, mas nós ficaremos eternamente ligadas por aquele momento de compaixão pela dor alheia.

- passar pela mão de várias depiladoras: eu queria manter-me fiel à minha cara Dirce, mas às vezes, não é possível, o que me obriga a passar de mão em mão, de espátula em espátula, da Dirce, para a Michele, para a Isa. O embaraço e a vergonha já são típicas desse tipo de situação, mas ficar vulnerável desse jeito (e não preciso entrar em detalhes né?) para várias pessoas é de ir às lágrimas.

- tirar a calcinha ou só desviar: eu desvio, mesmo correndo o risco de estragar a calcinha com cera. Tirar as calcinhas assim do nada, sem um xaveco ou um jantar, é demasiado até para uma pessoa liberal como eu.

- depilar atrás ou deixar quieto: eu sou daquelas que defende o "Perdida por 100, perdida por mil". Já estou ali, humilhada e enfraquecida moralmente, não custa nada mais 2 minutos de humilhação e enfraquecimento moral.

- conversar ou não com a depiladora: eu não sou muito de conversar com manicures, esteticistas ou cabeleireiros, mas já que a profissional da área de depilação tocou nas minhas partes íntimas, o mínimo que eu posso fazer é falar do tempo ou da novela.

Olhem, só tenho uma coisa a dizer: não é fácil.

0 (des)fragmentos: