29 de dezembro de 2009

Eu e a minha falta de jeito para ser dona de casa

Fez hoje uma semana e alguns dias que estou de férias forçadas. (Forçadas porque o jornal fechou para férias e não porque fui demitida, 'tá?) e já não aguento mais ficar em casa.
Claro que dormir até tarde, poder assistir Beverly Hills 90210 às 11 horas na Sony, dormir à tarde e ver a repetição de Beverly Hills às 16 horas tem sido muito agradável.
O problema é que, como estou de férias, me sinto um pouco obrigada manter a minha casa limpa e arrumadérrima (sim, eu confesso, com o jornal, a revista, a academia e a ONG, não sobra muito tempo para eu fazer aquela faxina geral todas as semanas).
Por exemplo, acabo de almoçar. Começa America's Next Top Model (sim, eu gosto de ver realities shows fúteis, vejo todos). Aí, eu começo a assistir e a louça fica empilhada na pia. Acordei tarde e a cama ficou do jeitinho que estava quando eu saí dela. Mas, como eu sou uma boa moça, acabo fazendo um esforço para manter as coisas em ordem. Sim, porque eu morro de vergonha que a minha sogra apareça de surpresa aqui em casa e veja que a sua linda nora não cuida da casa do seu filhote.
O maridão, docinho de coco (a fruta, tá?) da sua marida, nunca reclamou se a casa está ou não arrumada. Aliás, ele é tão bagunçado que ele deve estranhar é quando os ténis dele não estão no meio da sala ou quando a toalha dele está pendurada no varal e não feita um rodilho em cima da cama. Ele só reclama quando, depois da faxina, eu coloco um incenso para dar um cheirinho bom na casa. "Ah, não, não vem com essa coisa fidjida!".
Para quem está perguntando se ele me ajuda na faxina, a resposta é... nim. Nem sim, nem não. Na verdade, eu prefiro fazer a limpeza sozinha, mas fazer do meu jeito. Só nas limpezas mais pesadas, como dar banho ao cachorro, lavar o quintal ou limpar o fogão gorduroso, é que recorro às mãos de Leonardo Velozo Lima.
E mais: eu teria um pouco de vergonha se ele assistisse às minhas sessões de canto durante a faxina.

Por isso que acho que eu ficaria louca se fosse daquelas mulheres que ficam em casa o dia inteiro cuidando da casa e dos filhos. Aliás, o mais provável seria que as crianças ficassem com a bunda assada de passar o dia inteiro com m**** na fralda, enquanto eu assistia ao final de temporada de Temptation Island.

28 de dezembro de 2009

Confissões de uma jornalista (quase) frustrada

Sempre quis ser jornalista. Acho que eu devia ter uns 11 ou 12 anos quando, um pouco incentivada pelas Carries Bradshaws da vida, aliada a um jeitinho mais ou menos bom para escrever, tracei aquilo que seria o meu dia-a-dia para o resto da minha vida. #medo
Claro que tem sempre aquelas conversas de querer mudar o mundo através das minhas matérias. Eu, bobinha como sempre, acreditava que realmente poderia tornar este mundo um lugar melhor para viver. Tretas.
Hoje, eu considero-me jornalista. Sim, diplomada (diploma em Portugal, ainda sem equivalência no Brasil e com a possibilidade (ainda mais) remota de tirar o meu registro profissional). Como os meus colegas jornalistas por este Brasil, também estudei durante quatro anos para ter o meu diploma.
Claro que tem um pequeno problema nesta história: a minha nacionalidade. Como eu sou portuguesa, formada em Portugal, estou a ter algumas dificuldades para que o Ministério do Trabalho brasileiro me reconheça como jornalista de verdade e me dê esse maldito registro profissional. Mas hei-de tê-lo. Sabem porquê? Porque eu sou portuguesa e jornalista, não desisto nunca. a frase não é bem assim, pois não?
Anyway... tem alguns dias em que eu até gosto de ser jornalista. Graças a Deus isso acontece na maior parte dos dias (graças a Deus). Porque não é o lugar onde trabalhas que te faz uma boa jornalista, o jornalista é que faz (ou não) do veículo um bom lugar para se trabalhar.
Mesmo não sendo bem sucedida nessa tarefa, ainda não estou preparada para desistir da profissão. Porque, raios, eu sou uma boa jornalista! Eu escrevo sobre tudo um pouco, eu ouço os dois lados da história, evito fazer matérias sensacionalistas, e, acima de (quase) tudo, eu gosto do que faço.
Mas já não acredito muito naquela fábula de que o jornalismo pode realmente mudar o mundo. Ou que é uma profissão para a vida toda. E começo a achar que deveria ter ouvido o meu professor, que, antes de eu me candidatar à faculdade, me implorou para eu não fazer jornalismo. Homenzinho esperto, esse Freitas Campos....

26 de dezembro de 2009

Dicas de que a juventude se foi embora

- a tua mãe pergunta-te: "Filha, o que queres de presente de Natal?". E tu respondes: "Ai, mãe, dava-me jeito umas toalhas de mesa, porque as minhas estão cheias de manchas que eu não consigo tirar".

- em vez de procurares por lojas de roupa na José Paulino, procuras por lugares onde vendam capas de sofá.

- lês as instruções da máquina de lavar para saber como colocar lixívia (alvejante) para tirar as manchas das ditas toalhas.

- dizes que, quando te dói o joanete, é sinal de que vai chover.

- reclamas com o teu marido quando ele demora para ir lavar a louça, quando, há uns anos, ODIAVAS que a tua mãe gritasse: "Oh, Ana Filipa, vai lavar a louçaaaaaaa!".

- os teus momentos na internet são dedicados a procurar receitas para engordares o teu marido, em vez de ficares horas no orkut ou a colher as porcarias das alfaces lá da fazenda.

- na tua agenda, em vez de marcares "Saída com as gajas" ou "Cerveja com os amigos", marcas reuniões de trabalho, entrevistas e prazos para pagar as contas.

- dás por ti a vadiar na internet no site do Ponto Frio e pedes ao teu marido: "Amor, podemos ter uma batedeira elétrica?".

Ou por outras palavras: a vida adulta entrou de rompante na minha vida e eu continuo com o mesmo feitio de merda.

12 de dezembro de 2009

Algumas coisas que você tem de saber antes de andar de trem/metrô em São Paulo


- A sua vida e conduta pessoal são pautadas pelos princípios da educação e da cordialidade? Dentro do trem ou nas suas imediações, esqueça essas qualidades. Elas não têm lugar lá dentro.

- quer fazer uma viagem tranquila e, no que for possível, silenciosa? Bah, esqueça! Você vai ter a oportunidade de desfrutar de vários gêneros musicais ao mesmo tempo, desde funk, pagode, música indiana e o último hit da Beyoncé. A fonte de tanta "cultura"? O celular dos manos, parcelado em 24 vezes nas Casas Bahia.

- acredita na teoria de que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço físico ao mesmo tempo? Desengane-se! Principalmente em horário de pico, dois corpos podem ocupar o mesmo espaço físico, sim. E normalmente isso acontece.

- você está no metrô, deseja sair na estação Pedro II, e não na Sé. Esqueça. Se a multidão que estiver saindo na Sé quiser, ela simplesmente te leva e você VAI TER DE SAIR NESSA ESTAÇÃO. Não existe outra hipótese.

- na hora de entrar no trem, você tem duas hipóteses: ou morre esmagada ou espera que todo mundo entre antes de você. Claro que depois você vai em pé, escarrapachada contra a porta, sem conseguir se mexer e com o seu nariz na direção do sovaco do cara ao lado.

- esqueça a hipótese de isso alguma vez mudar. What U see is what U get.

- se continuar assim, só nos resta uma solução, representada na foto abaixo. Pelo menos a gente pega um arzinho.